sexta-feira, 6 de março de 2009

O que aprendi com esta leitura...


Com este livro aprendi que ao longo da vida não podemos dar nada como certo, que tudo é inserto. Que há sempre alguma coisa que nos liga a alguém, a algum lugar. Que o passado mais que o que já passou é que deixamos por resolver, o que deixamos pendestes á espera que o tempo cure ou nos responda ao que queremos saber. Que o deixar assuntos pendentes, conversas por ter só nos vai atormentar ao long
longo da vida e só nos vai tornar pessoas tristes e vazias. Fez-me também perceber que mais importante que qualquer amor ou que qualquer desilusão é importante saber perdoar para podermos continuar a nossa vida livre de fantasmas. Fez-me perceber o verdadeiro valor da amizade. Um livro que me fez crescer muito como pessoa e que recomendo a toda a gente a ler.

A parte que mais gostei


A parte que mais gostei do livro foi a parte em que autor refere o que une os dois amigos logo desde inicio "Viviam juntos desde o primeiro momento, como os gémeos idênticos no útero da mãe. Não era necessário «travar amizade», como faziam os rapazes da mesma idade, com rituais solenes e ridículos e com uma paixão pretensiosa, tal como desejo surge entre pessoas de uma forma inconsciente e desfigurada, quando alguém, pela primeira vez, quer separa do mundo o corpo e alma de outra pessoa, para a possuir de uma maneira exclusiva. É esse o sentido do amor e da amizade. A amizade deles era tão seria e silenciosa, como todos os grandes sentimentos que duram uma vida inteira." Esta é a parte do livro que mais me marca porque é uma parte tão profunda. Explica o verdadeiro sentido a amizade
e faz-me pensar na verdade da palavra, fez-me repensar o meu conceito de amizade e perceber que mais do que uma pessoa que conheço e até em ou bem, amigo é aquele que mesmo com o meu silêncio percebe como estou, é aquele que eu sei que podem vir tempestades, tudo para nos separar mas não iram conseguir é aquele que mais que em ele e em eu existe um nos. Talvez hoje em dia vulgarizamos a palavra e o sentimento da amizade mas esta passagem fez-me ver que a amizade é muito mais profunda e indefinida do que o que nos pensamos.

Resumo

Henrick vivia num pequeno castelo na Hungria, com Nini, sua fiel ama como uma mãe para ele. Tinha uma vida monótona, triste, perturbada. Vivia a vida como se andasse a preparar uma vingança. Com ele guardava um segredo de 40 anos um segredo o que o atormentava, um segredo que naoo deixava viver, que o deixava preso ao passado.
Aos 10 anos conheceu Konrád, num colégio militar. Mais do que uma amizade eles eram como irmãos inseparáveis, era como se sempre tivessem conhecido, a cumplicidade que desde o primeiro momento mostraram um com o outro.
Sem explicação Konrád quando foi visitar seu amigo aproximou-se de Krisztina, mulher de Henrick. Quando este se apercebe da situação descobre que seu amigo tentou mata-lo. Talvez por peso na consciência Konrád afasta-se de ambos. Krisztina adoece mas seu marido estava magoado de tal maneira que a cada dia que passava se afastava mais dela até ao dia da sua morte. Separados por 40 anos, separados por sentimentos de revolta e tristeza, 40 anos de perguntas sem respostas de um querer saber, 40 anos sem vida a não ser o viver do passado.
Foi assim que passados 40 anos, no velho castelo de caça na Hungria, os dois amigos recriam o enredo do triângulo amoroso vivido numa juventude dum mundo que desmoronou, no coração do império austro-húngaro, num período turbulento que termina com a desagregação do império e o desaparecimento do mundo e das regras que modelaram a vida de ambos.
Separados por circunstâncias que agora se desvendam, unidos por um segredo calado durante 40 anos.

Escolhi este livro porque...


Nunca tinha lido nada escrito por Sándor Márai, era um autor completamente estranho para mim. Mais do que a curiosidade de ler e conhecer este autor de quem nunca tinha ouvido falar, foi a atenção a curiosidade que o titulo desta obra causou em mim. “As velas ardem até ao fim” só esta simples frase chamou a minha tenção. Fez-me questionar-me a mim própria sobre vida. Fez-me pensar que quando pensamos que tudo terminou vimos que afinal não e que ainda há um pouco de cera no fundo para dar um fim a uma historia inacabada, a um sentimento mal sentido, para dar respostas o que sempre quisemos saber mas fazíamos de conta que não queríamos. Este título fez-me pensar que nada é definitivo e que por mais que pensamos que temos uma vida resolvida aparece sempre uma nova pergunta uma nova duvida um novo sentimento. Nada é definitivo, a única coisa que temos definitiva na nossa vida é a morte, o apagar da vela.